Por Cintia Calal
A Lua e o Hyoku*.
Abrindo o portão
de sua casa, Akira teve que se conter para não praguejar ao ouvir seu
celular tocar outra vez. Olhando o visor identificou a chamada. Era sua mãe!
De novo! Que droga... Suspirou pensando se atenderia ou não aquela
chamada. Afinal de contas, era sua mãe...
- Oi mamãe... - atendeu com má vontade.
- Akira! - a voz desesperada de sua mãe soou tão aguda que teve
que afastar o telefone de ouvido. - Onde você está? Preciso de
você!
- O que aconteceu agora? - perguntou pacientemente enquanto encostava-se no
muro de sua casa. Saberia do que se tratava aquele desespero e se fosse uma
bobagem iria embora e não voltaria tão cedo pra casa - Meu pai
não ligou hoje?
- Não é isso! Sua irmã Memu está doente! - a notícia
e o choro de sua mão assustou Akira - O médico está aqui,
mas eu não consigo fazer nada! Preciso de você aqui!
- Calma mamãe! - disse enquanto corria entre as rosas de frente de
sua casa - Em um minuto estarei no quarto de Memu. - desligou o telefone e
entrou em casa como um furacão. Pelo caminho os empregados tentavam
falar com ele, mas ele estava muito preocupado com Memu para prestar atenção
no que tentavam falar. Abrindo a porta do quarto de sua irmã, deparou-se
com sua mãe chorando sobre a filha e um médico tentando consola-la.
- Calma senhora... A menina só está com um pouco de febre. Vai
ficar boa logo.
- Mamãe? - interrompeu a frustrada tentativa de consolo do médico.
- Akiraaaaa! - desesperada, ela se jogou em cima de seu filho, que quase caiu
no chão.
- Calma mamãe! - afastou-a de si segurando-a pelos braços -
Controle-se!
- Eu estava tentando explicar isso a senhora sua mãe... - o médico
disse.
- O que Memu tem? - ele perguntou enquanto sua mãe voltava a abraça-lo
chorando compulsivamente.
- Tem uma febre que logo passará. - o médico começou
a explicar - A menina parece que se molhou toda brincando às escondidas
com uma mangueira do jardim... Coisas de criança... - o médico
sorriu sem jeito - Ela logo ficará bem.
- E Emu? - Akira quis saber.
- Ela não participou da travessura de Memu. Está com uma amiga
de sua mãe na sala de brinquedos. - o médico informou enquanto
pegava sua maleta e se arrumava para sair. - Além de medicar sua irmã,
também mediquei sua mãe. Logo ela estará dormindo como
um bebê. - sorriu ante o alívio do jovem rapaz - Acho melhor
deita-la na cama. - Apontou para a mulher que já estava quase dormindo
nos braços de Akira, em meio à lágrimas.
- Obrigado doutor. - agradeceu pegando sua leve mãe no colo.
- De nada. Qualquer problema pode ligar. - dizendo isso, abriu a porta e foi
conduzido por uma das empregadas até porta de saída. Lançando
um último olhar para Memu, percebeu que ela dormia como um anjo: tranqüilamente.
Depois disso, Akira levou sua mãe até o quarto dela, pondo-a
já em sono profundo em sua cama.
Saindo dali, resolveu ver como estava Emu, e apesar de saber que isso faria
com que ela não largasse de seu pé se o visse, sentiu-se constrangido
a consolar sua pequena irmã. Lembrou-se, no entanto da "amiga"
de sua mãe que estaria tomando conta de Emu. Não conhecia nenhuma
amiga de sua mãe... Afinal de contas, como sua própria mãe
já dissera várias vezes, ela só existia para cuidar de
seus filhos e amar seu marido...
Uma pressão criou-se dentro de seu peito. Quem sua mãe haveria
trazido para dentro de sua casa? Seria alguma amiga realmente? Ou seria apenas
mais uma aproveitadora da caridade e da doçura excessiva de sua mãe?
Preocupado, apressou os passos em direção a sala de brinquedos.
No caminho, uma das empregadas passou por ele. Resolveu perguntar:
- Espere! - chamou-a quando percebeu que ela passaria direto.
- Deseja algo, jovem mestre?
- Sim. Quem é a mulher que está com Emu?
- Eu não a conheço, jovem mestre. Assim que a pequena senhorita
Memu passou mal, sua mãe foi até a rua e a trouxe até
aqui. Disse que era... - não consegui terminar a frase, pois Akira
já corria desesperado para a sala de brinquedos. Abrindo a porta com
brutalidade, focalizou uma mulher sentada no sofá com Emu dormindo
em seu colo. - Quem é você? - perguntou alto e Emu remexeu-se
no colo da mulher. Surpresa com aquela presença brusca, a mulher olhou
Akira e levou o dedo até os lábios:
- Shhh! Por favor! Não faça barulho! - sorriu docemente, balbuciando
palavras - Ela acabou de dormir!
Sem ação, Akira fitou a mulher com sua irmã no colo.
Tinha os cabelos muito curtos, negros. Vestia uma calça jeans e uma
blusa branca social. Era bonita e jovem... Mas nunca a tinha visto em sua
vida, e por isso não era confiável o suficiente para ter sua
irmã no colo.
- Eu não conheço você. - ele disse baixo se aproximando
com a intenção de tirar sua irmã do colo daquela desconhecida.
- Nem eu te conheço. - a mulher falou sorrindo como quem se divertia
com aquela situação. Porque ela sorria tanto? Akira se perguntou.
- Eu sou Mimasaka Akira. - impôs sua condição àquela
mulher. Mostraria quem mandava ali. - E você?
- Eu sou Nakamura Kaoro. - ela se apresentou com um sorriso inexplicavelmente
persistente no rosto. - Desculpe não poder cumprimenta-lo direito,
mas sua irmã está tão confortável que não
tenho coragem de me mexer.
- Você é amiga de minha mãe? - foi direto ao ponto.
- Na verdade... - ela riu baixinho como se tudo fosse muito engraçado.
- Acabei de conhecer sua mãe!
- O que? - quase caiu pra trás.
- Shhh! - pediu para que ele falasse baixo.
- Esclareça isso! - ordenou como um inquisidor.
- Eu estava dando uma volta pelo quarteirão e bem... - olhou-o mais
uma vez sorrindo. - De repente sua mãe saiu pelo portão gritando
desesperada que alguém a ajudasse e quase se jogou na frente de um
carro que passava na hora. Eu a segurei e perguntei se ela precisava de ajuda.
Imediatamente ela me puxou para dentro me chamando de amiga. Eu entrei e bem...
Estou aqui, esperando ela voltar...
- Eu não acredito nisso! - Akira levou a mão a sua testa pensando
que somente sua mãe pra fazer algo do gênero. Trazer para cuidar
de sua filha uma mulher desconhecida!
- Desculpe se causei algum transtorno. - ela disse suavemente - Se puder pegar
sua irmã posso ir embora agora mesmo.
- Bem eu... - sentiu-se sem jeito. Afinal a mulher demonstrava um cuidado
especial pela menina, sem ter a menor obrigação. Tomando sua
irmã nos braços, viu-a se levantar e dizer:
- Espero que Memu melhore. Devo ir. Mande lembranças a sua mãe.
- Sim, eu... - sentia-se cada vez mais constrangido. De certo modo, aquela
desconhecida havia sido gentil, enquanto ele, só havia se portado rudemente
até aquele momento. - Obrigada. Vou chamar alguém para leva-la
até a porta.
- Não é necessário. - sorriu mais uma vez. - Eu tenho
uma memória fotográfica e sei o caminho. Obrigada por me receber
em sua casa. - e saiu sem deixar espaço para que Akira insistisse em
mandar alguém acompanha-la. Olhando para sua irmã, percebeu
como havia sido sem educação e grosso.
- Estou pior que Tsukasa... - falou baixinho para sua irmã, antes de
leva-la ao seu quarto.
Naquela noite,
Akira não saiu para se encontrar com Soujiro na boate que costumavam
freqüentar. Sua mãe acordou algumas horas depois um pouco atordoada
com a doença de Memu e não lhe deu sossego, embora sua pequena
irmã já demonstrasse claros sinais de melhora. Emu, para variar,
não desgrudou dele em nenhum minuto e só teve oportunidade de
perguntar a sua mãe sobre a desconhecida, quando suas irmãs
já dormiam profundamente.
- Desconhecida? - sua mãe o olhou como se ele fosse um ignorante -
Mas ela se chama Nakamura Kaoro. Não é desconhecida...
- Mamãe, a senhora a conhece de algum lugar?
- Bem... Agora pensando bem... Não.
- Eu não acredito nisso!
- Mas o sobrenome dela me é conhecido... Nakamura... Não é
o nome daquela família dona da escola Eirin? Como a Eitouku?
- Oh meu Deus! - percebendo que aquela mulher só podia ser da família
Nakamura, levou a mão a sua testa. Seria Kaoro a herdeira da família
Nakamura?
- Ela me pareceu muito educada e gentil quando a encontrei... E pelo sobrenome
deve ser uma menina muito rica, de boa família.
- Isso não significa que seja confiável. - afirmou meio que
tentando se esquivar da culpa que sentia em ter sido tão mal educado
com a jovem durante aquela tarde. Logo ele! Que sempre havia dito a Tsukasa
que se deveria tratar uma mulher com delicadeza. - Por isso, nunca mais faça
isso! - finalizou seu pensamento.
Imediatamente sua mãe ficou os olhos cheios de lágrimas e se
jogou em seus braços:
- Você tem razão... Me desculpeeee!
- Aiiii!
O dia amanheceu
e Akira não estava com a mínima vontade de ir à escola,
para variar... Mas tinha que ir. Nem que fosse apenas para se encontrar com
seus amigos e matar aula, como sempre. No entanto, só chegaria na metade
do dia... Afinal, já passava da metade da manhã. Saindo de seu
quarto, ouviu a risada de sua mãe ecoar da sala de visitas, enquanto
ia à direção a sala de café. Estaria Memu já
completamente recuperada e fazendo sua mãe sorrir outra vez? Dirigindo-se
par o lugar de origem do som da alegre risada de sua mãe, Akira se
surpreendeu de tal maneira com o que viu que ficou paralisado na porta da
sala.
- Querido! - sua mãe disse. - Que bom que já está de
volta da escola! Kaoro veio visitar sua irmã!
- Olá! - a jovem disse com seu habitual sorriso no rosto. - Como está?
- Bem... E a senhorita? - tentou ser polido. O que ela estaria fazendo ali?
Se ela realmente era rica, a herdeira da família Nakamura, com certeza
não estaria ali para tirar vantagem de sua ingênua mãe...
No entanto, não acreditava que ela estivesse ali para saber de Memu.
- Muito bem. E feliz por saber que Memu já está sem febre.
- Eu... Agradeço sua preocupação. - teve vontade de perguntar
o que ela fazia ali. Porque se preocupava tanto com desconhecidos... Mas não
poderia ser tão "Tsukasa"... Não com uma mulher! Que
apesar de jovem, era bem bonita. Muito bonita...
- Sente-se filho! - sua mãe disse enquanto se levantava do sofá
em direção a porta - Vou pedir uns biscoitos.
- Mãe... - tentou dizer que ele faria isso com o maior prazer, só
pra não ter que ficar a sós com aquela mulher, mas sua mãe
já tinha ido fazer o que estabelecera.
- Sua mãe é linda, se me permite dizer. - ela disse e ele foi
obrigado a voltar-se para Kaoro e sentar-se a sua frente, onde sua mãe
estivera anteriormente.
- Obrigada... - respondeu sem saber como iniciar uma conversa séria
com a visitante.
- Sempre tão jovial e alegre... - a menina continuou - Você se
parece muito com ela. Seus cabelos, seus olhos...
- Ah... Eu... - Deus! O que dizer?
- Mas ela é extremamente espirituosa... Enquanto você, precavido
demais.
- Como? - quase caiu do sofá.
- Está na defensiva desde que me conheceu.
- Bem, eu... Não sei o que dizer... - passou a mão pelos cabelos,
sem saber o que fazer.
- Desculpe se minha presença te incomoda. - falou de supetão,
assustando Akira. Jamais pensou que o incomodo que sentia fosse tão
evidente. Sem palavras, ele a viu se levantar com a cabeça baixa e
dizer: - Devo ir embora. Agradeça sua mãe... - tentou olha-lo,
mas uma lágrima escorreu por seu rosto. Oh! Não! Estava chorando!
Na frente de outro que a odiava! - Desculpe... - encarou-o limpando o rosto
- Mas é que minha presença tem sido muito incomoda nesses últimos
dias... - tentou sorrir, mas não conseguiu. Desesperada, saiu correndo
em meio ao pranto. Já no quintal, achou que estava definitivamente
livre do olhar perturbado que aquele garoto lhe lançava. No entanto
surpreendeu-se quando sentiu uma mão puxar-lhe o braço, impedindo-a
de correr.
- Espere! - Akira estava ofegante por ter corrido tão rápido
atrás dela.
- Por favor! Me solte... - ela puxou o braço, mas ele a segurou mais
forte.
- Não vou deixar que saia por este portão no estado em que você
se encontra. - falou firme e ela parou de tentar se soltar. - Por favor, me
perdoe... - ele disse suavemente - Fui estupidamente grosseiro com você.
Eu simplesmente não consigo ficar perto de pessoas como você...
- ela o olhou sentindo-se ofendida, mas esqueceu seu sentimento quando ele
completou sua frase: - Não se ofenda, por favor... Você foi maravilhosa
desde que te conheci... E isso me incomoda de certo modo... - exasperado,
passou a mão pelos cabelos - Você não deve estar entendendo
muito, mas... É que as pessoas como eu são sempre bem tratadas
e... No final... É tudo mentira... - desabafou. Com certo receio do
que ela faria, soltou-a, permitindo que ela escolhesse em ficar, ou ir embora.
Porém, mais uma vez se surpreendeu:
- Eu entendo... - ela disse, limpando mais uma vez o rosto já novamente
coberto por lágrimas - Eu entendo tudo...
- Me desculpe por ter sido tão grosso... - ele pediu mais uma vez.
- Tudo bem... - respondeu agora com um leve sorriso nos lábios.
- Por favor, volte para dentro de casa comigo. Talvez possamos conversar um
pouco enquanto comemos os biscoitos que minha mãe preparou.
- Acho que é uma boa idéia... - sorrindo agora inteiramente,
Kaoro seguiu até a sala de visitas outra vez. Ao chegarem lá,
a mãe de Akira conversava com Emu, dando-lhe biscoitos para comer.
- Ah! Vocês estão aí!
- Akiraaaa! - Emu pulou sobre ele quase o derrubando no chão.
- Emuuuu! Oh Deus! Venha aqui filha! - a mãe tirou-a de cima do irmão
e saiu da sala levando a chorosa menina no colo: - Voltou logo! Akira! Faça
a sala!
Enquanto as duas se afastavam, Akira pôde ouvir a risada de Kaoro:
- Elas são incríveis!
- É... - Akira admirou a beleza daquela risada. - Incrível...
- Humm! - ela olhou para os biscoitos em cima da mesinha de centro - Posso
me servir?
- Claro! - saiu do transe - Por favor!
- Obrigada! - ela se sentou de frente a mesa do modo tradicional e começou
a comer. Mais uma vez surpreso, Akira a acompanhou. Sentando-se a sua frente,
começou a falar:
- Você pertence a família Nakamura?
- Sim. - ela respondeu um pouco desanimada com o fato. - Sou filha do dono
da escola Eirin. E você? - quis mudar o assunto - Pertence a família
Mimasaka, das corporações Mimasaka?
- Sim.
- Sua família é muito importante. - ela disse admirada.
- Nem tanto assim. Mas sua família também é conhecida.
A Escola Eirin é uma escola modelo no Japão. E além dela,
a família Nakamura também possui outros ramos, na é?
- É verdade... Mas eu gostaria de que minha família nunca tivesse
ido tão longe... - confessou cabisbaixa.
- Porque? - ficou curioso.
- Porque assim meus pais não teriam tanta vontade de abrir mais e mais
empresas pelo Japão e eu... Eu estaria livre...
- Não entendo... Como assim, você não é livre?
- Ninguém com o peso de um sobrenome como o nosso pode ser livre Akira.
- olhou-o fixamente e ele entendeu do que ela falava. Acabara de presenciar
isso com seu amigo Tsukasa.
- Foi por isso que disse que sua presença andava incomodando as pessoas
ultimamente?
- Não sei se você sabe que sou a única filha da família
Nakamura e, portanto sua herdeira...
- Não, eu não sabia...
- Há algumas semanas minha mãe e meu pai me apresentaram ao
meu noivo... - olhou para Akira com os olhos cheios de lágrimas outra
vez.
- E? - estimulou-a a continuar.
- E aí que ele é um estúpido e grosso, que me trata como
se eu fosse sua empregada ou pior que isso! - o desespero dela era evidente.
- Sabe o que ele me disse quando nos conhecemos? Olhou para mim e falou: "Até
que você não é mal... Mas vá se acostumando com
a presença de outras mulheres em nossa casa!".
- Ele disse isso?! - Akira ficou horrorizado com o descaramento do tal.
- Sim... - limpou os olhos.
- E qual o nome desse maldito?
- Watanabe Hiroshi.
- Das corporações hoteleiras? - impressionou-se com a riqueza
e a falta de educação do sujeito.
- Sim. Você o conhece?
- Não pessoalmente, mas meu pai tem conexões com os Watanabe.
- Pode imaginar como estou me sentindo? - ela perguntou, mais uma vez deixando
que lágrimas de desespero caíssem de seus olhos. - Minha festa
de noivado é daqui a dois dias! E assim que eu me formar na Eirin,
vou me casar com aquele... Com aquele homem horrível! - baixou a cabeça.
- Não fique assim. - Akira esticou a mão por cima da mesa e
levantou seu rosto pelo queixo. - Ele não vale a pena uma só
lágrima dessas que você derrama. - limpou o rosto dela, deixando-a
absorta por aquele momento. - Eu acho que você deveria se impor.
- Eu já tentei... - respondeu ainda surpresa pela proximidade de Akira.
- E o que aconteceu?
- Ele... Ele debochou de mim... Não tem jeito.
- Sempre há um jeito... - ele falou cada vez mais próximo de
Kaoro. A mesa era pequena e seu corpo já estava completamente sobre
ela, fazendo com que sua cabeça e por assim dizer a boca, estivessem
muito perto do rosto dela.
- O que vai fazer? - ela perguntou tão envolvida por ele que não
conseguia se mexer.
- Akiraaaaa! - uma voz conhecida os tirou do clima.
- Aiiii! - Akira foi surpreendido por Memu que se jogava em cima dele, fazendo-o
cair no chão.
- Meu irmãozinhooooo!
- Ah? - Kaoro olhou a cena e começou a rir. Riu tanto que até
chorou.
- Pare de rir!!!! - ele gritou.
No portão
de sua casa, Akira se despedia de Kaoro:
- Obrigado pela visita. - ele disse - Emu vai gostar de saber que teve visitas
enquanto estava doente.
- Espero não ter causado problemas com Memu. - riu enquanto se lembrava
dela gritando que Akira era dela e demais ninguém.
- Não ligue para isso! - disse visivelmente contrariado pela cena.
- Obrigada por tudo. - ela disse com um leve sorriso nos lábios - Você
foi um ótimo amigo.
- Amigo?! - ele perguntou injuriado e ela riu.
- Você é muito engraçado... - ela se aproximou e quando
estava bem perto, ficou na ponta dos pés, e o beijou no rosto - Tenho
que ir agora! - se afastou correndo - Tchau!
Olhando-a se afastar, Akira levou a mão ao lugar onde ela o havia beijado
e sorriu. Como ela era bonita!
Naquele mesmo
dia, Akira recebeu um telefonema de Soujiro chamando-o para irem todos para
a casa de Tsukasa. Ao chegar lá, encontrou além dos F4 e Tsukushi,
Yuki, Sakurato e Shigeru. Aproveitando-se do momento, contou a todos sobre
Kaoro e perguntou a Shigeru se ela a conhecia:
- Claro que a conheço. Me admiro de você conhece-la! - ela falou
enquanto comia um bolinho - Ela sempre foi muito tímida e nunca falava
com ninguém na escola. Lembro que uma vez tentei fazer amizade com
ela, mas ela mal respondeu o bom dia que lhe dei.
- Ela deve ter gostado de você! - Soujiro disse para o amigo com ar
malicioso.
- Soujiro! - Akira gritou.
- Porque não? - o outro insitiu na idéia.
- Ela não é como as outras Soujiro. - Shigeru disse - Ela sempre
foi muito quieta, na dela, entende?
- Por isso mesmo, o destino quis que ela conhecesse nosso amigo Akira. - Soujiro
continuou - Porque você não liga pra ela e a chama para vir até
aqui?
- Não posso fazer isso. Esta casa não é minha.
- Não seja por isso. - Soujiro olhou para Tsukasa que conversava com
Tsukushi na janela da sala e perguntou: - Ei Tsukasa! Podemos chamar uma amiga
de Akira para nos conhecer?
Querendo mata-lo por tê-lo interrompido com Tsukushi, Tsukasa gritou:
- Chame quem você quiser! Só cale a boca!
- Viram? - Soujiro olhou para os outros - Agora é só ligar!
- Mas eu não posso ligar... - cruzou os braços e baixou a cabeça.
- Porque? - todos quiseram saber.
- Porque não tenho o telefone dela! - gritou.
- Ah!!!!!!!!
- Não tem problema! - disse Shigeru - Eu tenho uma lista de telefones
de todas as garotas da minha classe. Inclusive o dela.
- É isso aí garota! - disse Soujiro.
Algum tempo depois,
Akira pegou o telefone e discou para Kaoro. Não queria fazer isso,
mas já que todos o haviam estimulado, teria de fazer. Buscando um pouco
mais de privacidade, foi para a Biblioteca telefonar. O telefone tocou e Kaoro
atendeu. Sua voz era a mesma!
- Kaoro?
- Sim? - reconheceu a voz, mas não quis arriscar - Quem fala?
- Akira... Tudo bem?
- Akira? - ficou feliz - Como descobriu meu telefone?
- Eu tenho meus meios... - sorriu e ouviu-a soltar um riso abafado do outro
lado - Você não gostaria de vir até a casa de um dos meus
amigos? Estamos todos reunidos aqui, e quando eu contei que tinha te conhecido,
todos quiseram conhece-la. Inclusive, Shigeru uma colega sua de classe está
aqui.
- Ah... Então foi ela que te deu meu telefone?
- Sim... Você não gostou? - perguntou ao perceber um certo desanimo
na voz dela.
- Eu não me importo. - ela disse e Akira achou que estava recebendo
um fora. Mas percebeu o quanto estava errado quando ouviu a pergunta: - Onde
é a casa desse seu amigo?
Meia hora depois,
a campainha tocou e Akira foi abrir a porta para sua convidada especial. Todos
mal se continham para ver a nova "conquista" de Akira.
- Boa noite. - ela disse a todos quando chegou na sala. Empolgada, Shigeru
foi até ela e a recebeu com um abraço.
- Que bom que você veio. Venha, venha! Vou apresenta-la a todos. Você
não se importa, não é Akira?
- Eu? - olhou-a puxar Kaoro de perto dele como se não acreditasse no
fato.
- Que bom que ele não se importa! - Shigeru disse e Kaoro riu da cara
que Akira fez.
Sendo apresentada a todos, Kaoro se divertiu com os amigos de seu novo amigo...
Pensando sobre o assunto, amigo não foi uma palavra muito adequada
para qualificar o sentia por ele... Oh! Deus! Ela estava noiva! Não
era certo pensar em outro homem que não fosse a peste de seu noivo!
Durante toda a noite sentiu-se estranha com as novas sensações
dentro de seu peito. Akira estava ao seu lado e sorria todo o tempo para ela.
Quando Soujiro contava uma piada, e todos riam de chorar, ele olhava direto
para ela e trocavam olhares que ela não podia dar-se ao luxo de trocar...
Estaria dando muitos sinais de sua "afeição" por Akira?
Se é que podia chamar aquilo que já estava sentindo de uma simples
afeição!
O tempo passou e todos perceberam a hora de ir embora, quando Rui, que já
cochilava em um sofá, calmamente levantou e deixou a sala, indo se
deitar em um dos quartos de hóspedes da casa de Tsukasa. Começaram
a se despedir e cada um tomou um rumo diferente. Shigeru foi levar Sakurato
em casa, Soujiro foi com Yuki, Tsukasa com Tsukushi e Akira ofereceu sua companhia
a Kaoro, que aceitou prontamente.
Como suas casas ficavam perto, Kaoro dispensou o motorista que a estava esperando
e foi caminhando com Akira pela calçada. A noite estava agradável
e um leve vento quente fazia com que o cabelo de ambos esvoaçasse.
Cabisbaixa, Kaoro tinha noção do que acontecia dentro de si.
Pela primeira vez em sua vida, um homem a havia tratado com carinho, com respeito...
E agora estava enfeitiçada por ele... Mas como? Haviam acabado de se
conhecer! Então se lembrou da lenda do Hyoku... Teria ela encontrado
sua outra metade como a lenda dizia? Afinal, ela sempre se sentira pela metade,
mesmo... No entanto, jamais se sentira mais completa que aquela noite... Ao
lado de Akira...
- Algum problema? - ele perguntou preocupado com o silêncio em que ela
permanecera desde que saíram da casa de Tsukasa.
- Problema? - se assustou com a pergunta. Queria gritar que havia todos os
problemas do mundo, mas não o fez - Nada de mais... Só estou
pensando em com a lua está bonita...
- Realmente... - Akira observou a lua cheia e suspirou. Sentia-se finalmente
como aquela lua cheia... Completo... Ao lado de Kaoro... De repente começou
a entender porque não parara de pensar nela um minuto desde que haviam
se conhecido. Será que finalmente encontrara alguém perfeito
para si? Quase não a conhecia! Será que era apenas mais uma
atração por uma mulher compromissada? Ou será que o destino
era tão cruel a ponto de faze-lo encontrar sua outra metade em uma
garota noiva de outro cara?
- É aqui. - ela disse parando em frente ao portão de sua casa,
e ele despertou de seus devaneios.
- Já?
- Sim. - ela sorriu ante o desapontamento dele.
- É uma pena... Andar ao seu lado é muito agradável.
- deu dois passos em direção, mas ela se afastou, deixando-o
sem ação.
- Não, por favor!
- Você não quer? - ele perguntou.
- Não é isso... É que não é certo... Estou
noiva. - baixou os olhos.
- Está dizendo que não vai romper essa loucura?
- Está me pedindo para romper meu noivado? - ela perguntou nervosa.
- Você não pode se casar com ele!
- E porque não? - em seu coração, implorava que ele dissesse
uma loucura maoir do que a de se casar com Hiroshi.
- Porque... - pensou em dizer algo, mas não conseguiu - Porque você
não o ama! - gritou desesperado.
- Só por isso?!
- Como assim: só por isso? Isso já é motivo mais que
suficiente!
- Não, não é! - berrou em meio às lágrimas
- Como pensa que vou fazer isso? Sou Nakamura Kaoro! A única herdeira
da família Nakamura! E tenho que levar a diante o nome de minha família!
- Mesmo que isso signifique sacrificar seu... Coração? - sua
voz se suavizou.
Limpando os olhos, Kaoro sorriu. Ele não a amava... Como poderia amar?
Se haviam acabado de se conhecer? Olhando fixamente, disse:
- Eu só queria dizer que essa noite foi a melhor noite da minha vida...
Obrigada por proporciona-la... - empurrou seu portão e ele abriu. Antes
de entrar, porém olhou-o mais uma vez - Agradeço se nunca mais
me procurar... Estou noiva e não é certo que nos encontremos
mais... - fechou o portão.
- Kaoro! - ele tentou chamá-la, mas ela já tinha fechado o portão.
Nunca mais procura-la? Como? Aquilo doía mais que um soco no estômago!
- Ela não pode fazer isso comigo! - disse em alta voz - Kaoorooo! -
gritou o nome dela, mas ela não apareceu... Não... Sozinho e
vazio como uma lua crescente outra vez...
Do lado de dentro, encostada em seu portão, Kaoro deixou-se levar pelas
lágrimas. Ele estava gritando seu nome! Gritando seu nome! Oh! Deus!
Lentamente escorregou até o chão e ali permaneceu chorando,
até perder a noção do tempo...
No dia seguinte,
Akira se sentia completamente arrasado. Não dormira de noite e sentia-se
extremamente abatido. Como se tivesse levado uma surra... Como aquilo poderia
ter acontecido? Como? Estava apaixonado por uma mulher praticamente casada...
Seria esse seu destino? Amar mulheres casadas? Não! Mas não
essa mulher... Essa tinha que ser só sua... Só sua!
Rolando de um lado para o outro na cama até o sol se por no meio do
céu, percebeu que a porta de seu quarto foi aberta, tirando-o de seus
pensamentos.
- Boa tarde querido! - era sua mãe.
- Algum problema? - ela estava feliz, pois sorria.
- Não! Emu já está tomando almoçando e Memu está
junto a ela na mesa - beijou-o na testa.
- Então ela já está de pé? - afastou-se do abraço
apertado que ela lhe dava.
- Sim? Não é maravilhoso?
- Claro. - sorriu sem vontade.
- Não foi a escola?
- Não...
- Está se sentindo mal?
- Não é isso... Só estou cansado.
Sorrindo, sua mãe sentou-se na ponta da cama e começou a falar:
- Sabe, acho que você está com algum problema...
- Não estou com nenhum problema mãe!
- Que bom! - falou esperando alguma reação, mas o máximo
que conseguiu foi ver seu filho cobrir o rosto. Achou que estava na hora de
um tratamento de choque: - Acabou de chegar um convite para a nossa família...
- como ele não falou nada, continuou: - É para a festa de noivado
de Kaoro.
- O que? - ele se sentou bruscamente.
- Isso que você ouviu. Será amanhã. Ela não é
gentil? Nem nos conhece direito e já está nos chamando para
uma festa tão íntima! - sua mãe começou a tecer
elogios a Kaoro, dizendo como ela era bonita e educada, além de uma
série de comentários sobre seu belo corpo, que Akira não
estava nem um pouco a fim de ouvir.
- Cheeeegaaaa! - ele gritou assustando sua mãe.
- Porque você está gritando comigoooo? - ela já começou
a chorar e ele teve que consola-la.
- Desculpe, mamãe! - abraçou-a enquanto ela se encolhia toda
- Fui um idiota... Você não tem culpa de nada.
- É claro que não! - sua mãe levantou e apontou pra ele
como um general - Você é o único culpado aqui!
- Mamãe? - se assustou com o jeito dela.
- Você está deixando passar sua vida por causa de uma bobagem!
Levante-se e vá atrás dela!
- Mamãe? - como ela sabia?
- Você deve estar se perguntando como percebi tudo isso... - ela cruzou
os braços - Memu me contou que vocês estavam se beijando quando
ela chegou.
- Memu disse? - caiu da cama! Ele nunca a havia beijado! Por mais que quisesse,
nunca havia feito.
- Exatamente!
- Mas mamãe...
- Cale-se e vá atrás dela!
- Como posso ir atrás de alguém que quase não conheço?
- ele se irritou.
- Meu querido... - ela o puxou para se sentar ao seu lado na cama - Quando
eu conheci seu pai, meu primeiro e único amor, - seu sorriso iluminava
o ambiente - eu me apaixonei de tal maneira que perdi a ação...
Ele era tão gentil, educado, inteligente, atlético...
- Mãe! - não queria ouvir isso!
- O importante, - ela continuou - é que tanto ele quanto eu, tivemos
certeza de nosso amor quando nos vimos... E então nos casamos... -
olhou-o com carinho e passou sua mão no rosto entristecido de Akira
- E nunca, eu disse: nunca me arrependi... Porque tive você, Memu e
Emu, uma família maravilhosa.
- Mamãe... - ele baixou os olhos e confessou - Eu acho que a amo...
- Então vá atrás dela!
- Mas como eu pude me apaixonar tão rápido? - estava desesperado.
- Para poder ter a oportunidade de tira-la dos braços de seu noivo
a tempo! Anda! Vá atrás dela!
- A senhora tem razão! - ele sorriu entendendo tudo! Era a sua chance!
A única chance que teria! Levantando da cama, correu para o banheiro,
escovou os dentes e os cabelos, pôs sua roupa e saiu correndo de casa,
deixando sua mãe na porta, acenando:
- Vá e se declare!
- Sim! - ele respondeu com um sorriso nos lábios. Nem acreditava que
sua mãe o havia aconselhado! Logo sua mãe!
Correndo pelos 2 quarteirões que separavam a sua casa da de Kaoro,
só conseguia pensar em como seria seu reencontro. Ela olharia pra ele,
sorria, chorariam juntos, e finalmente se beijariam. Então, roubaria
Kaoro do tal Watanabe! Nem que tivesse que matar alguém, como dizia
Doumyoji.
Chegando no portão da casa de Kaoro, encontrou-o aberto. Sabia que
era falta de educação sair entrando na casa dos outros, mas
era uma situação de emergência! Vida, ou morte. Correndo
pelo jardim teve que se deter ao ouvir uma risada masculina. Alta e forte,
por certo pertenciam a um homem jovem. Devagar, evitando fazer qualquer barulho,
Akira se encostou atrás de um canteiro de folhas e flores, alto o suficiente
para quase esconde-lo totalmente dos olhos dos que estavam do outro lado.
Esticando seu pescoço, viu Kaoro, tradicionalmente vestida, conversando
com um homem. Um jovem que ria dela, enquanto ela o encarava com os olhos
cheios de lágrimas.
- Pare com isso Watanabe!
Era ele! Seu rival!
- Ora não seja tímida! - ele tentou passar a mão no corpo
dela e ela se esquivou. Mas Watanabe Hiroshi era mais rápido e forte.
Puxando-a, comprimiu seus lábios sobre os dela, fazendo-a gemer. Não
podendo mais se conter diante daquela cena, Akira saiu detrás de seu
esconderijo e gritou com o outro:
- Tire suas mãos dela!
Surpreso, o Hiroshi soltou Kaoro e olhou-o debochado.
- Ora, ora... Quem é você? Algum amiguinho de minha noiva? -
perguntou frisando a palavra: amiguinho.
- Akira? - ela se espantou com a presença dele - O que faz aqui?
- Eu vim... Falar com você. - respondeu.
- Olha só isso! - Hiroshi entendeu o que estava acontecendo ali - Então
vocês não são apenas amiguinhos?
- Pare com isso Watanabe! - ela gritou e ele a olhou friamente.
- Cale a boca! - rapidamente, ele deu-lhe um tapa no rosto e ela caiu no chão.
- Desgraçado! - Akira correu para Kaoro - Você está bem?
- Vá embora! - ela gritou em meio ao choro, deixando-o sem ação.
- O que? - perguntou sem entender.
- Se você não tivesse vindo aqui, nada disso teria acontecido!
- ela chorava e falava ao mesmo tempo - Vá embora! Eu não quero
mais falar com você! Saia daqui!
Assustado e decepcionado, Akira se afastou lentamente dela, sem saber ao certo
o que fazer.
- Não ouviu a moça? - Hiroshi perguntou e Akira lhe lançou
um olhar mortal.
- Cale a boca Watanabe!
- Ui! Que medinho!
Olhando para Kaoro, que afundara seu rosto no quimono, voltou a fitar seu
rival e disse:
- Em respeito a esta casa, não vou fazer nada com você hoje...
Mas pelo tapa que você deu em Kaoro, espere pelo pior. - e saiu. Deixando
até mesmo seu oponente sem resposta. Não voltando pra casa,
foi caminhando sem rumo, até chegar a cafeteria.
- Ele bateu nela?
- Soujiro perguntou sem acreditar.
- Tsukasa já me bateu também. - Tsukushi falou sem pensar e
quase apanhou de novo.
- Você provocou! - Tsukasa gritou e Rui teve que se meter:
- Estamos na cafeteria! Controlem-se.
Desolado, Akira olhou para aos que estavam ao seu lado. Dessa vez só
estavam os F4 e Tsukushi. O que fazer? O que poderia fazer agora que ela o
havia mandado embora?
- Temos que dar uma lição no desgraçado! - falou Soujiro
e Tsukasa concordou.
- É verdade! Não se deve bater em uma mulher. - diante do olhar
incrédulo de Tsukushi ele falou: - Não me olhe assim... Você
não é uma mulher.
- O queeeeeeee? - imediatamente uma guerrilha começou e Akira ficou
outra vez sozinho com seus pensamentos. Sentia que Kaoro era diferente. Mas
e se fosse igual a todas as outras com quem tinha saído? Tudo bem que
nunca tinha sentido com ninguém o que sentira estando ao lado dela,
mas e se tudo fosse um engano? Um grande e terrível engano? Tudo havia
sido tão rápido!
- Akira. - Rui chamou enquanto Tsukasa parava de discutir com Tsukushi e recomeçava
com Soujiro, sem que pelo menos um motivo fosse aparente.
- O que?
- Se você a ama, deve tentar...
- Rui? - se assustou com o conselho do tão calado amigo.
- Eu tentei... - sorriu de modo triste enquanto apontava para Tsukushi que
tentava apartar Soujiro e seu namorado - Não consegui, mas tentei.
E agora estou em paz. Esperando amanhã. Tente... Ou você nunca
ficará em paz, pensando no que poderia ter acontecido, se realmente
ia dar certo ou não. Vá e tente.
Sorrindo, Akira entendeu as palavras do amigo. E apenas acenando com a cabeça,
levantou-se e saiu correndo da cafeteria. Quando finalmente a briga acabou
e os outros voltaram para a mesa, Tsukushi quis saber:
- Onde está Akira?
- Foi fazer o que já devia ter feito. - Rui respondeu e sorriu para
Makino, o que deixou Tsukasa enciumado, recomeçando a discussão.
Rindo, Rui ficou de fora. Tinha que admitir: eles eram feitos um para o outro!
Akira pegou um
táxi para chegar mais rápido a casa de Kaoro. Já eram
quase 6 da tarde e quanto mais rápido chegasse melhor. Pagando o motorista,
correu pelo quintal, procurando ver se ela estava por al, mas não estava.
Batendo na porta, foi recebido por uma empregada.
- Boa tarde.
- Boa tarde. - respondeu - Procuro Nakamura Kaoro.
- Ela está com seus pais na sala de chá, senhor. Ela não
poderá receber nenhuma visita, pois também está com a
família de seu noivo. Se desejar, posso dizer que o senhor a veio procurar
depois que as visitas fossem embora. Como se chama?
- Mimasaka Akira. - respondeu pensando no que faria. Não permitiria
mais um minuto que aquele noivado onde sua garota era constantemente humilhada
culminasse num casamento triste e sem amor.
- Eu avisarei que o senhor veio vê-la.
- Espere! - impediu que a mulher fechasse a porta.
- Algum recado a mais? - a mulher era paciente.
- Onde é a sala do chá?
- Onde? - não entendeu, mas acabou por informar displicentemente: -
Na terceira sala a direita, porque?
- Obrigado. - e saiu correndo pelo corredor, ouvindo a empregada gritar atrás
dele. Seguindo pela direção indicada, Akira entrou no meio da
sala, surpreendendo a todos. Do seu lado direito, Kaoro estava entre aqueles
que provavelmente eram seus pais. No lado esquerdo, separado apenas por uma
mesa, seu rival, que o olhava incrédulo entre seus pais. Mas o que
importava, era apenas kaoro... Ela o fitava com lágrimas nos olhos,
como que se dele dependesse sua vida.
- Mas o que significa isso? - disse o senhor ao lado de Kaoro, levantando-se
indignado.
- Mestre Nakamura... - a empregada chegou por trás de Akira, que continuava
a olhar sem palavras, sua Kaoro - Eu sinto muito. O senhor Mimasaka Akira
entrou sem minha permissão!
- Mimasaka Akira? - o pai de Kaoro o olhou reconhecendo o sobrenome.
- Senhor Nakamura, - Akira finalmente começou a falar - me desculpe
entrar assim, mas eu preciso muito falar com o senhor...
- Ora! Que absurdo! - Hiroshi se levantou demonstrando muita raiva - Como
se já não bastasse hoje mais cedo, você ainda vem aqui
nos perturbar.
- Cale a boca Watanabe! - Akira gritou e Hiroshi ia avançar sobre ele.
Mas seu pai levantou-se o impedindo:
- Pare com isso os dois!
- Alguém pode me explicar o que está acontecendo? - a mãe
de Hiroshi se levantou ao mesmo tempo em que Kaoro e sua mãe o fiziam.
- A senhora me desculpe, - Akira voltou a falar - mas o seu filho não
vale o ar que respira!
- Isso é um ultraje! - a mulher falou ofendida.
- Senhor Mimasaka, - o pai de Kaoro o chamou com voz impaciente - pode me
explicar o que está acontecendo?
- Senhor Nakamura, esse homem que o senhor escolheu para sua filha não
é digno de se casar com Nakamura Kaoro! Ele... - ia continuar, mas
foi interrompido.
- Cale a boca! - Hiroshi se soltou de seu pai e voou sobre Akira para soca-lo.
Em meio a gritos, Akira se desviou e deu-lhe um soco no estômago e outro
no rosto, fazendo-o cair.
- É assim que você resolve as coisas, Watanabe Hiroshi? - Akira
o segurou pela gola da blusa - Batendo? Assim como você fez com Kaoro
mais cedo?
- O que?! - o senhor Nakamura olhou da cena para o pai de Hiroshi - O que
significa isso?
- Filha! - a mãe de Kaoro a olhou e percebeu que sua menina chorava
- Isso é verdade?
E silêncio, Kaoro molhou seu lenço num copo com água que
estava sobre a mesa, e passou sobre seu rosto. Imediatamente, a maquiagem
saiu, mostrando como seu rosto estava vermelho e um arranhão em sua
bochecha direita.
- O meu Deus! - horrorizada, a mãe olhou para seu marido e disse: -
Faça algo Nakamura! Isso é um absurdo!
- Eu... - o pai de Hiroshi olhou para o filho sem saber o que dizer - Isso
é uma vergonha! - voou sobre o filho que estava novamente caído
no chão, e deu-lhe um tapa no rosto - Você é uma vergonha
para a família Watanabe!
- Watanabe! - o pai de Kaoro chamou o pai de Hiroshi - Isso é um ultraje
imperdoável! Por favor, retire seu filho de minha casa. Não
haverá mais casamento! Você e sua esposa ainda serão bem-vindos
aqui, mas nunca mais seu filho poderá entrar em minha casa.
- Eu... - o homem começou a responder - Eu peço mil desculpas
pelo comportamento imperdoável de Hiroshi. E entendo que não
haja mais casamento. Tratarei de avisar a todos o cancelamento do compromisso.
Com sua licença. - chamando a mulher com a mão, puxou o filho
do chão dizendo: - Venha seu desavergonhado! Você vai ouvir e
sentir muito quando chegarmos em casa... - e se foi pelo corredor empurrando
e batendo no filho, sendo seguindo de perto pela esposa.
Dentro da sala, o senhor Nakamura viu como Akira e sua filha se olhavam. Nada
mais parecia existir além dos dois naquele momento. Dando um meio sorriso,
o homem chamou-o:
- Mimasaka Akira...
- Sim? - saiu do feitiço.
- Sente-se conosco e tome chá comigo. Hoje você me prestou um
grande favor, salvando minha filha das mãos de um covarde.
- Eu... - sem graça, Akira assentiu e se sentou com o homem. A sua
frente estava Kaoro, que olhava direto para ele, esperando apenas que ele
abrisse os braços para que ela se jogasse sobre ele.
- Eu gostaria de agradecer muito pelo que fez hoje... - a mãe de Kaoro
falou, enquanto acenava para que se trouxesse mais chá.
- Eu também - senhor Nakamura disse - O que eu poderia fazer para recompensa-lo?
- Bem, eu... - é agora! Pensou. Agora ou nunca! - Eu gostaria de namorar
a sua filha! - disse tão rápido que Kaoro quase caiu de costas
de tanta felicidade.
- Ora vejam só! - o homem sorriu e Akira ficou vermelho de vergonha
- O que acha disso mulher? - perguntou a esposa que já tinha um sorrisinho
suspeito no rosto.
- Acho que desta vez, devemos perguntar a nossa filha... - olhou para Kaoro,
que estava com o rosto enfiado no quimono.
- Porque não deixamos os dois resolverem isso? - senhor Nakamura perguntou
a mulher que prontamente se levantou e saiu acompanhando seu marido.
Um silêncio se fez entre Akira e Kaoro, levando-o a levar que ela não
gostava dele como ele dela. Teria se enganado? Levantando-se, pensou em ir
embora, mas lembrou-se das palavras de Rui: "Tente... Ou você nunca
ficará em paz, pensando no que poderia ter acontecido, se realmente
ia dar certo ou não. Vá e tente".
- Kaoro... Olhe para mim. - ele chamou e ela obedeceu ao pedido. Levantou
a cabeça e limpou o rosto, cheio de lágrimas - Se você
não me quiser, vou entender... Sairei por aquela porta e nunca mais
voltarei a vê-la. Mas se você me quiser, por favor... Me aceite...
Como seu namorado.
Em silêncio por um minuto, Kaoro se levantou e desviou-se da mesinha
que estava entre os dois. Desesperado, ele achou que ela não lhe daria
uma resposta. Mas precisava tentar! Precisava tentar!
- Akira... - ela o chamou e ele sentiu que seu coração ia parar
- O único que deve aceitar algo aqui é você... Por favor,
aceite minhas desculpas por hoje mais cedo. Fui uma tola ao manda-lo embora!
- É... Só isso? - desesperou-se mais ainda.
- Tem outra coisa... Antes de pensar na sua proposta, preciso saber se você...
Se você me ama.
Nesse minuto quem fez silêncio foi Akira. Estava apaixonado por ela,
e finalmente chegara o momento de dizer com todas as palavras que a amava!
- Kaoro... Não há mais ninguém neste mundo que eu queira
mais que você... Eu te amo... Amo tanto que desde que te conheci nunca
mais sua imagem, seu nome, seu jeito, saíram da minha cabeça...
Eu te amo... Mais que tudo, pela primeira vez em minha vida...
- Akira! - jogou-se nos braços dele e ele a abraçou com toda
a sua força - Eu te amo... - ela disse em meio as lágrimas.
Nesse momento o pai e a mãe de Kaoro, que escutavam tudo às
escondidas, entraram na sala comemorando:
- Isso merece um brinde! - falou o pai.
- Vamos abrir o champanhe! - completou a mãe.
Rindo Akira se separou de Kaoro, mas continuou a lhe segurar a mão.
Seu primeiro beijo de amor ficaria pra mais tarde...
Uma semana depois,
à noite, num restaurante...
- Rui, você sabe onde se meteu Akira? - Soujiro perguntou enquanto Makino
e Tsukasa dividiam uma taça de sorvete.
- Ele deve estar com a namorada... - Rui respondeu.
- Ai! Desde que ele começou esse namoro, ele nunca mais saiu comigo
para a noite. E como Tsukasa tem dona e você não tem jeito, -
apontou para Rui - tenho que me divertir sozinho... - suspirou de tristeza.
- Acho melhor você se acostumar... - Rui falou quando observando como
Tsukushi e Domyoji haviam se esquecido de que havia outras pessoas ao seu
redor - Ele deve estar em algum lugar sem ao menos saber que nós ainda
estamos vivos...
Em algum lugar
perto do mar...
- A noite está linda... - Kaoro disse enquanto abraçava mais
forte seu namorado pela cintura e recostava sua cabeça em seu peito.
- É verdade... - Akira olhou para o mar... Em pé, encostados
na grade de proteção de um mirante, observavam como a lua brilhava
intensamente... Completamente cheia, ela estava sorrindo somente para eles...
Finalmente juntos!
- Meu amor... - ela chamou e ele olhou para baixo na direção
daqueles belos olhos - Eu te amo... - ela confessou concluindo que a Lenda
do Hyoku era verdadeira... Finalmente sentia que podia voar...
- Eu também te amo, Kaoro... Minha Kaoro... - e a beijou. Naquele momento,
firmou sua certeza de que tudo aquilo que sentiam era pra sempre. Enfim sentia-se
como aquela lua, completa, no alto céu, irradiando a luz da felicidade.
Fim!
* A lenda do Hyoku: Lenda milenar japonesa sobre um pássaro que nascia apenas com uma asa, o qual somente descansava, ao encontrar sua outra metade. Desse modo, ele estaria completo e poderia voar.
Nota 1: Não tenho nenhum direito sobre Hana Yori Dango e seus personagens.
Nota 2: Gostaria apenas de frisar o quanto acredito que podemos amar alguém apenas em um segundo, do mesmo modo em que podemos amar após 20 anos de convivência. Sei que alguns leitores vão dizer: "Como é possível que Akira tenha se apaixonado em menos de 24 horas?". No entanto, aquele que nunca se apaixonou em um segundo, não pode saber todo o significado do que é amar! Assim sendo, mesmo que seja para ouvir críticas negativas, podem escrever o que acharam. Vou adorar saber.
Todo Hana Yori Dango é © de Kamio Yoko , Shueisha, Bandai, and Toei Animation.
Todas as figuras do manga,anime e live action são usadas sem permissão.Contudo não há intenção de uso comercial.
Usado de Fã para Fã.
Layout by Sahra B.R


