Por Cintia Calal

Nota: Eu não tenho nenhum direito sobre Hana yori Dango e seus personagens.


O vento agitava levemente as flores do jardim, permitindo que o odor das rosas raras subisse para a janela de seu simples quarto.
Seu coração encontrava-se em pedaços. Primeiro Shizuka, e agora Makino. Nenhuma das duas ficara com ele. Nenhuma!
Amaldiçoando sua existência, refletiu sobre toda a adoração que tinha por Shizuka. De todas as vezes que correra atrás dela, de quando fizera a loucura de beijar sua foto num outdoor no meio da rua! E a maior de todas as loucuras: de quando simplesmente largara tudo no Japão e fora atrás dela na França.
Só decepção... Entendera finalmente que a amara como se ama um ídolo, não como se ama uma mulher de verdade...
Então voltara para o Japão... E tentara mudar! Ser um homem como Soujiro e Akira, mas não conseguira. Finalmente encontrou em Makino aquilo que procurara um dia em Shizuka. Mas ela já não lhe amava como antes! No fundo, ele tinha certeza, de que já desde aquela época Makino Tsukushi amava Tsukasa Doumyoji.
Estava arrasado... Perdera-a para sempre. Jamais Makino o amaria outra vez! Sabia disso e tinha certeza de que os quatro anos que a separaria de Tsukasa nada significariam... Seria como um dia. Apenas um dia longe, durante o qual eles morreriam de saudades um do outro, mas não deixariam de pensar no momento em que finalmente se reencontrariam.
Estava tão só! Sua alma sentia um vazio e uma tristeza que nunca sentira antes. Não havia mais salvação para si, pois nunca encontraria alguém como Makino para estar ao seu lado. Nunca.
Tsukasa tinha muita sorte. Eles se amavam. E mesmo estando ele longe da mulher que amava, Tsukasa era o homem de mais sorte no mundo.
Triste, percebeu que não tinha sorte. Percebeu que jamais teve sorte, e que provavelmente ele nunca terá sorte no... Amor...
Suspirou e fechou os olhos, tentando esquecer suas angústias. Subitamente uma deliciosa sensação de alívio adentrou sua mente, tranqüilizando-o.
De repente, ouviu um barulho e despertou de seu descanso. Procurando a origem do som, visualizou em sua janela uma mulher sentada.
- Makino? - perguntou, mas a mulher não o respondeu, nem o olhou. - Shizuka? - novamente não houve resposta. - Quem é você? Como entrou aqui? - perguntou enquanto se levantava da cama e se aproximava da invasora.
Sorrindo, a mulher finalmente se virou, fitando-o nos olhos. Os belos cabelos castanhos caíam-lhe pelos ombros, emoldurando-lhe o rosto de feições finas. Seus olhos verdes brilhavam e seu sorriso revelava uma beleza interior sem igual.
- Eu não te conheço. - respondeu sem entender como aquela mulher entrara em sua casa. - Vá embora! - com uma ponta de medo, recuou até a porta de seu quarto, abrindo-a para que ela se fosse.
Mas ela não se dirigiu a saída. Sorrindo, levantando-se da janela e como um anjo flutuante se aproximou. Seu vestido branco cobria-lhe o corpo, deixando aparecer apenas seus pés. A sua volta parecia existir uma luz que cativava, e fazia com que quem a olhasse, desejasse passar toda a eternidade contemplando aquela divina figura.
Encantando com a beleza daquela mulher, não se mexeu. Ela se aproximou e tocou-lhe o rosto. Seus olhos hipnotizavam e ele não pôde se mexer.
- Quem é você? - perguntou agora, suave.
- Amanhã... - ela disse tão baixo que quase não se podia ouvir.
Olhando-a sem compreender o que significava aquela palavra, ele simplesmente não pôde se mexer. Era como se ela o tivesse enfeitiçado, não permitindo que ele olhasse em outra direção, nem se separasse de suas carícias. Ela sorria como um anjo. Tão linda que chegava a ser difícil respirar, tamanha o arrebatamento que ela lhe causara.
Vagarosamente, ela o conduziu até a cama e o fez se deitar. Não podendo resistir, ele obedeceu calado a cada gesto que ela o induzia a fazer. Ao seu lado, ela se aconchegou e aninhou-o em seus braços como uma mãe faz a seu filho. Quieto, ele não contestou. Se aquilo era um sonho, pensou, que nunca acordasse...
E então, quando já se encontrava relaxado em seu leito, sentiu um profundo sono apoderar-se de seu corpo, de tal maneira que não pôde manter mais os olhos abertos. Tentando lutar contra aquilo, ainda tentou falar algo, mas antes de fechar os olhos, ouviu a bela mulher sentenciar:
- Não relute meu amor... Não relute... Amanhã... Amanhã nos encontraremos... Apenas não relute...
Fechando os olhos, ele adormeceu, sentindo uma intensa alegria por saber que o dia seguinte lhe reserva um presente. Um presente que ele aguardou ansioso...

Na manhã seguinte, despertou com o sol. Animado com o que o dia lhe aguardava, sentia a esperança renovada. Pela primeira vez em muito tempo estava de bem consigo mesmo. Querendo curtir esse momento sozinho, resolveu ir caminhando para a faculdade.
No caminho, distraíu-se olhando uma criança brincando do outro lado da rua e acabou por esbarrar em alguém que lhe veio de encontro.
- Desculpe. - ele disse imediatamente após o encontro. No entanto, ao olhar para a outra pessoa com quem se chocara, surpreendeu-se.
- Desculpe-me... - ela disse sem graça. Vestida com o uniforme do primeiro ano da Eitoku, a mulher de seus sonhos estava lá... Esperando por ele! - Eu estava distraída. A culpa é minha.
- Qual é o seu nome? - perguntou tão de repente que ela se assustou.
- Kobayashi Sakura... - sorriu tímida. - E o seu?
- Hanazawa Rui... - sorriu encantado - E estava esperando por você.

 

 

Todo Hana Yori Dango é © de Kamio Yoko , Shueisha, Bandai, and Toei Animation.

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